Mitos e verdades sobre alguns alimentos

Sabe aquela velha história de que alguns alimentos são saudáveis e de que outros não são?  Pois é, hoje, nosso nutricionista Vinícius Lacerda, esclarece todas essas dúvidas.
Confira abaixo!

Consumo excessivo de proteína faz mal para os rins?
Com tantos suplementos alimentares contendo proteína que prometem aumentar os músculos, o boato de que o excesso de proteína faria mal para os rins cresceu muito. Mas não é boato. É verdade!

O consumo exagerado de proteína pode trazer vários problemas renais. Uma dieta rica em proteína exige mais trabalho dos rins. O rim é o órgão responsável por filtrar os subprodutos da degradação da proteína.

Pessoas com problemas renais sofrem com esse consumo excessivo, que se torna mais um fator de risco para o desenvolvimento de insuficiência renal, podendo levar a sérias lesões nesses órgãos.

É verdade que para emagrecer não podemos comer carboidratos à noite?
Tem gente que faz e inventa de tudo para voltar a usar aquela velha calça jeans. Algumas pessoas instituem a elas mesmas a penitência de não ingerir carboidratos à noite. Porém,  tal proibição não tem fundamento. Contudo, não dá para exagerar e comer um prato de massa antes de dormir, é claro. O carboidrato é o macronutriente que mais fornece energia para o nosso organismo e é necessário em vários casos. O que acontece é que à noite nosso metabolismo fica mais lento, sendo ideal que sejam realizadas refeições mais leves.

A sugestão é que a alimentação noturna contenha carboidratos complexos, presentes em alimentos integrais, e se evite gordura, o que garante que a glicemia se eleve aos poucos, que a digestão não seja difícil para que assim possa ter um sono tranquilo.

Fibras alimentares realmente fazem bem ao intestino?
Sim, as fibras alimentares realmente fazem bem ao intestino. Entre os benefícios das fibras, encontradas em frutas e verduras, está a melhora do hábito intestinal.

Porém, o ser humano não é capaz de digerir as fibras, então como surge a ajuda? Elas atuam no organismo auxiliando em casos de intestino preso, estimulando o movimento do intestino e a formação do bolo fecal, o que previne doenças intestinais.

Para quem não sofre com intestino preso, as fibras podem ajudar de outra maneira. Elas ainda auxiliam na perda de peso. As fibras geram maior saciedade pelo retardo do esvaziamento gástrico. Então, é recomendando que seja consumido diariamente de 25 a 30 g de fibras, completa.

Chocolate faz bem ou mal à saúde?
Um ponto fundamental em alimentação é que não existe necessariamente alimento totalmente ruim nem bom. Tudo depende da quantidade que a pessoa come. Até água que é a substância que temos em maior proporção no organismo, pode ser nociva em excesso. Com o chocolate não é diferente, é importante controlar a quantidade.

Sim, chocolate é um alimento que faz bem à saúde, pois possui procianidinas e outros antioxidantes que ajudam na proteção dos vasos sanguíneos e na prevenção da aterosclerose. Mas, como o chocolate é muito calórico, ele deve ser consumido em quantidades muito moderadas para evitar o aumento de peso. O ideal é uma barra pequena, de 30 a 50g, no máximo, por dia.

É verdade que o chocolate ajuda a melhorar o humor feminino, e às vezes a TPM, porque combina alimentos como triptofano, metilxantinas e outras substâncias que melhoram o estado de humor. Isso explica o desejo que muitas mulheres possuem por chocolate. Como o chocolate é muito gorduroso, ele pode causar intolerância e casos de dores de cabeça, em pessoas sensíveis.

Ovo faz mal à saúde?
Ovos têm bastante colesterol, cerca de 200mg por unidade, mas os estudos recentes sugerem que uma boa parte não seja absorvido. A lecitina do ovo reduz a absorção do colesterol. Isso é mais ou menos a metade a quantidade de colesterol recomendável para ingestão máxima diária. Portanto a quantidade de colesterol do ovo não é um empecilho para seu uso – considerando a recomendação de ingestão de uma unidade ao dia.

Por outro lado, o ovo possui vários alimentos importantes como proteína, fosfatidil colina (uma substância importante para o cérebro), vitaminas A, D, E, B1, B2, B3, B6, B12, biotina, ácido fólico, fósforo, cálcio, magnésio, cobre, zinco, selênio, iodo e enxofre. Botando os prós e contras na balança, o ovo se mostra um excelente alimento.

Café faz bem ou mal à saúde?
São essas contradições da ciência. Durante um bom tempo se dizia que a cafeína fazia mal à saúde. Agora se descobriu que a cafeína não é tão ruim assim, e tem vários efeitos positivos. Ela ajuda a combater a fadiga e gera algumas melhoras no desempenho cerebral, como memória e capacidade de concentração. Ela também tem efeito analgésico, ajuda a reduzir dores de cabeça e estimula a função renal. Mas seus efeitos problemáticos continuam a existir, em especial o aumento da secreção do estômago, que pode causar dor abdominal e gastrite. A cafeína ainda gera problemas em pessoas sensíveis com insônia ou naqueles que tem arritmias no coração – como as extrassístoles e tendência à taquicardia. O uso alimentar do café exige muito bom senso quanto à quantidade, como é fundamental para qualquer alimento – uma xícara de cafezinho no café e almoço é o recomendável para aproveitar os seus efeitos com um mínimo de risco sem ter os efeitos negativos.

Comida japonesa não engorda:
Como qualquer comida, a japonesa pode engordar se for consumida em excesso. Pode-se saboreá-la até mesmo todos os dias, desde que fique atento às quantidades e à forma de preparo dos alimentos (fuja das frituras).

O sashimi (150g) de salmão traz 316,5 calorias, enquanto o de atum, 219. Cada oito unidades de sushi acrescentam 240 calorias à refeição. O shoyu não tem valor calórico alarmante (1 colher de sopa proporciona 9 calorias), mas isso não significa que deve se empolgar e pecar pelo excesso, até porque apresenta alto índice de sódio.

A culinária japonesa é bastante saudável por fornecer proteínas e ômega 3. É rica também em produtos feitos a partir da soja, que reduzem os níveis de colesterol ruim (LDL) no sangue, evitando a formação de placas de gordura nas artérias. No entanto, é deficiente em ferro, já que o cardápio não conta com carne vermelha.

Os antioxidantes, que ajudam no combate ao envelhecimento, estão presentes em alimentos amplamente utilizados nas iguarias orientais, como no gengibre (que facilita a digestão), nos cogumelos (cujo ácido glutâmico auxilia o sistema imunológico) e no chá-verde (fonte de vitamina K, necessária à coagulação normal do sangue).

Queijo amarelo tem mais gordura que o branco:
A cor amarela está ligada ao alto teor de gordura do leite. Sendo assim, os queijos amarelos também são mais calóricos em comparação com os brancos. Confira as calorias fornecidas por 30g de opções do produto: uma fatia do queijo minas frescal tem 79; duas colheres de sopa do cottage, 30; uma fatia de ricota, 50; uma fatia de parmesão, 118; e uma porção de gorgonzola, 144.

Rico em proteínas, gorduras, carboidratos, sais minerais (sódio, potássio, magnésio, cobre, cálcio e fósforo) e vitaminas (A, B e D), o queijo é considerado um dos alimentos mais nutritivos que se conhece. Assim como os outros derivados do leite, a recomendação, segundo o Guia Brasileiro Alimentar (2005), é de três porções ao dia, que devem ser consumidas no café-da-manhã ou nos intervalos das grandes refeições (lanche da manhã, lanche da tarde ou ceia).

Alimentos diet são menos calóricos que os convencionais:
Produtos diet são aqueles que restringem completamente algum tipo de nutriente, como açúcar, proteínas, gordura e sódio. O chocolate dietético, por exemplo, não tem açúcar, mas é mais calórico que o tradicional devido à maior adição de gordura. Com a retirada de algum nutriente, o alimento pode até apresentar uma diminuição nas calorias, mas isso não quer dizer que seja menos calórico do que o convencional. Deve-se verificar se essa redução é significativa e justifica a substituição do alimento convencional pelo diet.

Optar por pão integral ao invés de pão branco ajuda a emagrecer?
Se for escolher entre o pão integral ou o branco, prefira o integral. Na verdade, ambos têm a mesma quantidade de calorias, ao contrário do que muitos acreditam, mas a vantagem é que o integral apresenta mais fibras e micronutrientes. As fibras contribuem para a saciedade e melhoram o funcionamento do intestino.

Comer e beber durante as refeições prejudica a absorção dos nutrientes?
A digestão é prejudicada ao misturar a refeição com qualquer bebida. Para que os nutrientes sejam absorvidos adequadamente, o nosso corpo precisa liberar enzimas digestivas e ácido clorídrico para a digestão dos nutrientes. A ingestão de líquidos, acima de 200 ml provoca a diluição do suco gástrico, interferindo na digestão. As bebidas gaseificadas, principalmente a base de cola, são alcalinizastes e prejudicam ainda mais a digestão dos alimentos e, consequentemente, a absorção adequada de nutrientes no intestino.

Ingerir folhas verdes escuras substitui o leite na alimentação diária
Os vegetais verde-folhosos como, por exemplo, agrião, couve, brócolis, couve de bruxelas, rúcula e o repolho contém em sua composição uma boa quantidade de cálcio. Também há presença de magnésio, vitamina C e vitamina K, que são nutrientes importantes para a mineralização óssea, ou seja, tem uma proporção parecida com a do leite humano e uma sinergia com os demais nutrientes necessários para sua biodisponibilidade. A biodisponilidade do cálcio dos vegetais é de 50 a 70%, enquanto a biodisponibilidade do cálcio do leite é de aproximadamente 30%.